Chegou o Verão

22 06 2007





Usar ou não usar… eis a questão

21 06 2007

DragãoNo outro dia de manhã, a caminho do infantário, a minha filhota, que tem pouco mais de 2 anitos, reparou numa coisa: “O Pai não usa travata (tradução: gravata)! O pai do Zezé (um colega) usa travata”. E foi um bocado a insistir nisto, até que me perguntou “Porque é que o pai não usa gravata? (sim, eu corrigi-a e ela compreendeu logo)”. Eu disse que o trabalho do pai não obriga a andar de gravata. E isso fez-me pensar: será que desempenho melhor as minhas funções? Não acredito.

Tenho tido algumas experiências laborais no estrangeiro, nomeadamente Inglaterra, Holanda e Alemanha, e nunca fui criticado por não usar gravata. Porque carga de água é que eu, que faço administração de sistemas, devia usar. Não tenho contacto com o público, não falo com clientes ou fornecedores, as (poucas) reuniões que tenho são sempre com colegas, hierarquicamente superiores ou não.

Ainda no outro dia, em conversa com um colega meu, ele ficou chocadíssimo quando lhe disse que tinha várias tatuagens, todas elas com um significado, e que não me ia ficar por ali. Além dos típicos comentários sobre agulhas, sangue e masoquismo, notei que ele sugeriu que tatuagens não eram muito bem vistas em meios empresariais portugueses. A pergunta que lhe fiz foi: “gostas de ver um bom rabo, com a bela da tatuagem tribal por cima do mesmo?”. Como é óbvio, a resposta foi positiva. Ou seja, é muito bonita no rabo (ou por cima do mesmo) de uma rapariga, mas feia num homem. Claro que quando mostrei o dragão que tenho nas costas, ele teve de dar a mão à palmatória e reconhecer que estava extremamente bem feita. A pergunta é: Porque raio tenho de andar a esconder coisas que todas as pessoas reconhecem como um trabalho bem feito e bonito? Para mim, a razão é a bela mentalidade tacanha da maioria dos empresários portugueses.





Os livros são como as cerejas

18 06 2007

LivroAinda não consegui compreender muito bem qual é o critério para se publicar um livro. Já tive uma livraria, e mesmo assim continuo sem compreender. Depois da “grande” Margarida Rebelo Pinto, que nos tem entretido com uma literatura mais light que muitas saladas, seguiram-se artistas da bola (Jardel, Baía, Ricardo, Liedson e o grande Pinto da Costa, entre outros), prostitutas e alternadeiras do Calor da Noite, entre os mais díspares exemplares de grandes escritores que abundam na sociedade portuguesa.

Ora, querendo entrar para essa galeria de notáveis que escrevem livros encontram-se João Silva e Paulo Franco. E quem são João Silva e Paulo Franco, perguntam vocês. São 2 jovens portugueses que estiveram detidos na Letónia, por suposta profanação da bandeira letã. Com a ajuda dos outros elementos que estavam com eles e que não ficaram detidos, querem escrever um livro onde contam as suas desventuras numa prisão da antiga república da ex-URSS. Admitem terem roubado as bandeiras, mas dizem que foram muito mal-tratados na prisão. Mas está tudo doido? Queriam o quê? Tratamento VIP? Serviço de quarto a perguntar o que queriam para o pequeno-almoço? E no fim de tudo, ainda querem publicar um livro.  Será que há algum pingo de decência e as editoras começam a vetar este tipo de livros?





Estado de graça

17 06 2007

Sócrates apertadoParece que o estado de graça do governo português está a acabar. Depois da contestação no passado 10 de Junho em Setúbal, alegadamente por engano, Ontem Sócrates foi novamente vaiado, desta vez em Abrantes, devido ao suposto encerramento de algumas valências no hospital local. Devo dizer que já fui tratado a uma intoxicação alimentar nesse hospital, e julgo que, para a grande maioria dos hospitais públicos que conheço, até nem é dos piores. Voltando a Sócrates, ele lá foi dizendo que tudo era um equívoco, que aquele protesto não tinha razão de ser, dado o hospital não ir perder valências algumas.

Infelizmente, desde que este governo chegou ao poder, a única coisa que falta mesmo fechar é o governo. Desde escolas a hospitais, passando por fábricas, empresas, organismos públicos, é notório que o que eles gostam é de fechar. E o que é que eles querem abrir? Um aeroporto, de preferência na Ota, dado a família Soares ser dona de grande parte desses terrenos, e um TGV que andará às moscas (os preços anunciados equiparam o preço de uma viagem Lisboa-Madrid por TGV a uma viagem de avião).

Não percebo nada de política, mas vou tendo a minha opinião. E na minha opinião, os maus governos sucedem-se em catadupa. Depois vêm dizer que a eleição de Salazar como o grande Português foi uma manobra de grupos mais organizados. Se calhar, é mais a demonstração que os portugueses querem algo diferente. Já dizia Júlio Cesar: “Existe nos confins da Ibéria um Povo que não Governa nem se deixa Governar”.





Descobriram a pólvora

14 06 2007

Depois de anos a ouvirmos queixas acerca da elevada taxa de absentismo, arriscamo-nos a começar a ouvir queixas por causa do Presentismo. Isso mesmo. Cada vez há mais pessoas doentes a irem trabalhar, mesmo quando não o deveriam fazer. Ora, o estudo publicado hoje no Diário Económico mostra que essas pessoas não só são menos produtivas, como ainda contaminam os outros funcionários com as suas doenças, provocando prejuízos maiores do que se ficassem em casa.

A sério, era preciso um estudo para constatar o óbvio?!





Sofrer

9 06 2007

FomeCorria o ano de 1996. Tinha acabado de chegar de Angola, onde tinha estado ao serviço das Nações Unidas na UNAVEM III (United Nations Angola Verification Mission III). Fui convidado para um jantar de anos de uma amiga (ou pelo menos assim julgava), onde se encontravam várias pessoas de uma faixa etária relativamente mais baixa que a minha. Depois de um fausto repasto, onde a cerveja (:-s) imperava, sobrou montes de comida. Já bastante bem regados, os jovens começaram a falar de aulas, exames e quejandos. A dada altura, 2 miúdas começam a falar de sofrimento, por causa dos exames.

Miúda 1 – Então estudaste para Matemática?

Miúda 2 – Ainda não. Tenho estado a estudar para Química.

Miúda 1 – Xiiiii. O que eu sofri com Química. A S’tôra é uma chata. Ainda não sei como é que consegui ter 13.

Miúda 3 – Sofrer, sofrer, foi com o S’tôr de Biologia. O homem era chato e cheirava mal.

A determinada altura, “passei-me” e disse: Vocês querem saber o que é sofrimento? Sofrimento é não ter nada para comer. É não ter sítio onde dormir. Quando uma delas me perguntou o que é que eu sabia disso, eu passei a contar um episódio que me marcou quando estava em Angola. Tinha acabado de chegar a Angola, e numa das minhas “folgas”, um dos meus camaradas pediu-me ajuda para ir despejar o lixo acumulado na Unidade a uma lixeira ali perto. Depois de ter recolhido todo o lixo existente na Unidade, onde estavam latas de sumo e cerveja, beatas, papeis sujos, comida e tudo o resto que se pode colocar no lixo, lá nos dirigimos à referida lixeira. Quando nos estávamos a aproximar do sítio, reparei em montes de lixo que estavam amontoados, mas sem ninguém à vista. Quando lá chegámos, começaram a sair pessoas por detrás dos montes de lixo empilhados. Posso dizer que não tivemos que despejar um único caixote. Foi uma coisa hedionda, ver homens e mulheres, velhos e crianças, juntamente com cães cheios de sarna, a deliciarem-se com os restos da nossa comida, no lixo.

As pessoas deviam pensar antes de usar algumas palavras. Sofrimento é uma delas, sobretudo porque nós, uma imensa minoria de mortais, não sabemos o que isso é. A partir desse dia, custa-me imenso deitar comida fora, porque sei que alguém neste mundo precisa dela.





Mais de 20 anos depois, tudo se mantem

8 06 2007

Nesta altura que os nossos grandes líderes se encontram reunidos, aqui fica um video em memória daqueles que realmente sofrem…

Para mim, Bob Geldof não é grande… É ENORME.





Depois dos 30…

5 06 2007

Passei a ter menos dinheiro na carteira. Passei a ter menos cabelo. Passei a ter menos tempo para mim, para a família, para os amigos. Passei a ter menos paciência. Passei a ter mais barriga. Passei a estar mais tempo no sofá. Passei a olhar mais para as miúdas. Passei a estar mais tempo na Internet.

Só não passei a ter mais juízo.