Apesar da minha raiva, ainda sou apenas um rato numa jaula
17 09 2007
Ultimamente tenho-me sentido demasiado melancólico. Não tenho vontade de me levantar de manhã, não me apetece estar com pessoas, não consigo falar dos meus problemas, apetece-me chorar, apetece-me gritar. O que me vai dando forças são as minhas filhotas, sobretudo a Helena, que demonstra uma real preocupação pelas pessoas, sobretudo pelos pais.
Sempre tive um sonho. Até aos meus 26 anos, idade em que compreendi que a minha mulher era a pessoa que eu queria ao meu lado para o resto da vida, o meu sonho era comprar uma Harley, meter-me a caminho, sem destino certo. Estar hoje aqui, amanhã ali, depois acolá. Sem compromissos, sem qualquer tipo de obrigação. E o que sinto hoje é o reavivar desse sonho.
Estou farto deste mundo hipócrita. Andamos todos a dar pancadinhas nas costas uns dos outros, mas no fundo, essas pancadinhas são uma forma de pedir desculpa pelo que vamos fazer a seguir. Temos a conversa do “se tens vontade de fazer alguma coisa para mudar isso, faz”. Acho que todos temos vontade de fazer alguma coisa, mas na realidade, não o fazemos. Infelizmente, a nossa vontade é facilmente ultrapassável com o vil metal. Estamos no emprego. Não gostamos de algumas coisas. Temos várias hipóteses. Mas se formos realmente importantes e ameaçarmos bater com a porta, é quase garantido que o patrão vem por trás a pôr “paninhos quentes“, oferecendo algo mais, muito provavelmente dinheiro. E nós calamo-nos. E seguimos em frente, como nada se tivesse passado.
Cansado, triste melancólico.
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