Era o nome do programa desse grande vulto da televisão portuguesa chamado Vasco Granja. Quantas vezes não tivemos de gramar com os grandes desenhos animados da Checoslováquia ou de qualquer outra tenebrosa república da ex-URSS? Ou então, levantarmo-nos com as galinhas, porcos, couves e similares, todos na companhia do saudoso Engº Sousa Veloso. Ainda me lembro do Marco, da Heidi, do Pequeno Cid, de Jacky, o urso de Tallac. E quem não se lembra dos Cinco, com a Zé à cabeça?
Ainda me lembro bem das cadernetas de cromos que fiz. E colar os cromos com cola Cisne. E comer a referida cola. Enfim, bons e velhos tempos…
Por obrigação, tenho visto muitos desenhos animados nos últimos meses. É o que dá ter uma filha com 2 anos e pouco (continuam-se a contar os meses, ou passa-se a contabilizar de meio em meio ano?). E surgiu o pesadelo da minha vida. O seu nome: Noddy.
Honestamente, abomino este boneco. Além da enorme parafernália de Noddies que me
vão surgindo pela casa (às vezes penso se o Noddy não nasce a partir de um cogumelo… ele é cuecas, bolachas, camisolas, babetes… sei lá, já vi tanta coisa do desgraçado que qualquer dia arranjam preservativos para as primeiras relações dos miúdos), a quantidade de DVDs é enorme (maldito sejas, Planeta de Agostini). Claramente, a mensagem que transmite aos miúdos é interessante. No entanto, podemos considerá-la também deveras distorcida. Senão repare-se:
- O Noddy é boneco que representa uma criança, mas conduz um carro, tem uma profissão (taxista). Podemos dizer que incita ao trabalho infantil.
- Fala com o seu carro (todos nós já o fizemos), e o mais estranho, o carro responde, e ele consegue compreender. Além disso, é o único habitante do País dos brinquedos que consegue perceber o Turbo Lento (que raio de nome), um fiel cão de companhia. Ou seja, É normal as pessoas compreenderem as buzinadelas dos carros e o ladrar dos cães.
- O grande Sr. Lei. Polícia e Juiz ao mesmo tempo, num país onde ele é a única autoridade.
- Se o Noddy e os seus amigos fizerem asneira, são repreendidos, mas rapidamente perdoados. Os duendes, (Sonso e Mafarrico), se fizerem alguma coisa, vão para a prisão. O ridículo ocorre quando o Urso Rechonchudo, suposto melhor amigo do Noddy, rouba um carro e um comboio, e não acontece nada. Os duendes, no episódio a seguir, roubam um gelado e vão para a prisão.
Interessante modelo de virtudes, não é?
O Noddy é uma invenção da Enid Blyton (sim a mesma que inventou os Cinco!). Os livros que tenho em casa, ainda com ilustrações a aguarela, são mais bonitos e menos infantilóides que a nova série televisiva.
O conceito de desenho animado é exactamente que a realidade seja distorcida – assim não fosse não tinha tanta graça, não é? Ou vais-me dizer que os Cinco correspondem à sociedade de sobredotados, curiosos adolescentes da tua geração?
beijinhos,